Da hesitação política à potência antiracista: contribuições de psicanalistas negras brasileiras
Resumo
O presente artigo interrogar sobre a hesitação de muitos psicanalistas brasileiros contemporâneos em trabalhar com o sofrimento psíquico ligado ao racismo. Para tal, buscamos debater sobre a irredutibilidade da psicanálise a uma “psicologia individual”, e apreender como, de Freud a Lacan, a alteridade é constitutiva do aparelho psíquico. Posteriormente, avançamos no debate recuperando elementos do contexto sócio-histórico da chegada da psicanálise no Brasil – em meio a eugenia e o higienismo – e a despolitização no contexto da ditadura como pontos que podem ter contribuído para certo afastamento dos analistas em relação ao debate. Por fim, trazemos o contexto da redemocratização e a contribuição de quatro analistas mulheres pretas - Virgínia Bicudo, Lelia Gonzalez, Neusa dos Santos e Isildinha Batista - em seus trabalhos sobre o racismo no Brasil, como marcas de um maior reposicionamento crescente na direção psicanalítica anti-racista.
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