O corpo falante e a-política da psicanálise

Rogério Paes Henriques, Paulo Vidal

Resumo


Expõe-se o processo de constituição do sujeito como ser falante (parlêtre), a partir da incidência da dimensão pulsional da linguagem (lalangue), articulada ao objeto voz, que perfura sua superfície corporal. O sujeito da psicanálise, causado pelo real da pulsão, em sua correlata destituição subjetiva, situa-se no plano da ruptura ontológica. Ele subverte portanto qualquer consistência que se queira dar-lhe, por exemplo, via categorias identitárias situadas no plano ôntico-empírico. O corpo falante é uma caixa de ressonância do fato de que nele habita um dizer. Este é passível de transmissão por intermédio dos “relatos de passe”, testemunhos singulares de um “saber se virar” (savoir-y-faire) com o objeto a, segredo do gozo do sujeito.


Palavras-chave


corpo falante; objeto a; relato de passe

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